terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sargento, por amor




Thaís Barcellos

'O amor do soldado', de 1947, foi a única peça que Jorge Amado escreveu. Para exercer uma profissão que combina baixa remuneração com alto risco, só muito amor mesmo. Há 23 anos trabalhando na Polícia Militar da Bahia, Carlos Antônio Santos Nascimento sempre sonhou em ser policial. Aos 18 anos, entrou para o Serviço Militar Temporário no Exército Brasileiro: foi eleito o melhor soldado e o praça mais prestativo de uma turma de 100 recrutas. Quando estava há dois anos na polícia baiana, Nascimento se inscreveu para o concurso de Sargento do Exército, mas ao ouvir o comandante geral da época falar sobre a profissão, não teve dúvida do que realmente queria para sua vida. Em 2002, Nascimento foi promovido a 1º Sargento da Polícia Militar. O filho de 7 anos vê Nascimento como um “super-herói indestrutível”, apesar de todos os riscos e perigos da profissão. 

Leia Jorge: O que motivou o senhor a buscar a carreira policial?

Sargento Nascimento:  Aos 12 anos eu assistia a série Swat na TV e fiquei fascinado pela profissão de policial principalmente fardado, o que no Brasil é polícia militar. Após os 18 anos, entrei no Exército para o serviço militar temporário e lá fiquei por 1 ano e 8 meses. No 1º ano, fui eleito o melhor soldado da turma de 100 recrutas e denominado o praça mais distinto. No 2º ano, fiz o curso de cabo do Exército brasileiro, porém eu era temporário, só podia ficar por quatro anos e oito meses, e cada vez mais eu tinha vontade de ser PM. Após sair do Exército, realizei o meu sonho: fiz concurso para soldado da PM. Seis meses após o concurso, eu fiz por 11 meses o curso de formação de Soldado da PM. Quando eu fiz três anos na graduação de soldado, a Polícia abriu um concurso interno para 336 cabos, eu fiz e fiquei em 30º lugar. Como cabo, os meus superiores hierárquicos me deram a função de 1º sargento, sendo que na época (1992) tinha na PM da Bahia,  o 3º e o 2º sargentos. Fiquei 10 dez anos na graduação de cabo, porém por sorte e destino, acabaram com a graduação de cabo PM. Fui promovido após um estágio de 90 dias à graduação de 1º sargento PM.

Leia Jorge: O senhor em algum momento pensou em largar a profissão?

 Sargento Nascimento: A única vez que eu pensei em sair da PM foi quando eu tinha 2 anos na corporação e  fiz inscrição para o  concurso de sargento do Exercito. Porém, ao ouvir um discurso do comandante geral da época, salvo engano, o coronel Mesquita, sobre a vocação do PM e a importância da função e do cargo, eu não fui nem fazer a prova do Exército.

Leia Jorge: Quais são as dificuldades encontradas para que o senhor exerça a sua profissão?

Sargento Nascimento: A maior dificuldade é a falta de treinamento e a segunda maior dificuldade é a carência de efetivo. É quase impossível trabalhar somente com mais um PM, ou seja dois na viatura de rádio-patrulha, pois ao mesmo tempo que o companheiro está no volante, ele tem que auxiliar o outro, e na maioria das vezes, ele não pode auxiliar de imediato, pois tem que estacionar a viatura em local seguro.

Leia Jorge: Policial é uma profissão arriscada, como sua família vê esse risco?

Sargento Nascimento: O policial militar ou civil corre risco todo o tempo quer esteja de serviço ou não, pois na diligência pode ser baleado no confronto, e na folga, se for reconhecido pelos bandidos, paga com a vida ou sofre lesão grave normalmente por arma de fogo. A minha família fica tensa e preocupada quando eu estou no trabalho ou de folga. É muito estressante para a família. Para meu filho de 7 anos, eu sou um super-herói indestrutível. Até nos locais perigosos, como no ônibus ou van, ele fala aos estranhos que eu sou policial militar e frisa: “sargento que prende bandidos”.  

   “Para meu filho de 7 anos, eu sou um super-herói indestrutível”


Leia Jorge: Qual é a sua visão da Segurança Pública de Salvador?

Sargento Nascimento: Para melhorar a segurança pública, só tem uma solução, educar de verdade o povo e gerar emprego e renda, além de mais fortemente orientar as crianças e os adolescentes que o vício da droga, bem como o trafico, só leva a dois caminhos: a morte prematura ou a cadeia. Também aumentar o efetivo da Policia Militar e Civil, além de preparar a Guarda Civil metropolitana para auxiliar a PM nas escolas públicas do município e nas praças.

Leia Jorge: Como o senhor avaliou a greve da Polícia Militar no início deste ano? O senhor é contra ou a favor desse tipo de manifestação? Em relação ao que foi reivindicado, o que o senhor tem a dizer?

Sargento Nascimento: Sou contra a forma como foi feito o movimento, porém a reivindicação era justa, pois o governo anterior aprovou a lei da GAP, ou seja, Gratificação de Atividade Policial, porém o próprio governo não cumpriu a lei. Quanto a parar a polícia, eu sou contra. Se a violência é alta com a polícia exercendo atividade normal, imagine com a Polícia Militar em greve! É a festa dos bandidos, que aterrorizam toda a sociedade inclusive a família e o próprio policial civil ou militar. Precisou ocorrer o caos para recebermos em parcelas por quatro anos o que era nosso de direito. Ainda não vi a cor do dinheiro: a 1ª parcela está prevista para o mês de novembro deste ano, 70% do valor da GAP 4,  o restante em abril de 2013 e a GAP 5 em 2014 e 2015. Somos policiais militares, fiscais da lei e da ordem. Nosso objetivo é servir e proteger. Porém, temos várias contas a pagar, como toda a sociedade: água, luz, condomínio, alimentação, escola de filho.

Leia Jorge: A população tem um certo preconceito com policiais, o senhor já sofreu alguma retaliação por ser PM?




Sargento Nascimentovárias vezes, as pessoas dizem que eu não posso ser da PM porque sou educado. Perguntam se sou evangélico. Digo que sou católico. Porém, muitos não sabem que todos os oficiais têm curso superior em Segurança Pública exceto os que são oriundos do quadro de sargento e sub-tenente. Atualmente, mais de 30% da tropa de praças, tem 3º grau completo em diversos cursos. Na minha unidade, tem praças soldados e sargentos que são bacharéis em direito ou outros cursos. PM não é profissão de ignorante e analfabeto. No último concurso, foram 129 mil candidatos para 3 mil vagas. Só passou quem tinha muito conhecimento. A prova há mais de dez anos exige nível de 2º grau. Muitos dos aprovados tinham o curso superior, eu ainda não tenho, mais leio muito sobre lei e todos os assuntos. A sociedade acha que o PM é leigo e ignorante, mas eu levo todo dia para o trabalho a Constituição Federal e o Código Penal. O que não tenho no papel, está no pen drive ou na internet. Vários policiais são como eu, oficiais e praças, soldados, cabos e sargentos.


6 comentários:

  1. Parabéns Sgt! Nascimento suas palavras abordam bem o que é ser policial, tenho orgulho de ser policial e de pertencer a sua turma de praça.

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